No País de Merda, O Governo Finge Que Está Tudo Bem

Publicado: 15/05/2014 por Cigano Morrison Mendez em Copa, Economia, Política, Principal
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Olá, bípedes! Eu sou o Cigano e este é o meu primeiro post neste blog sensacional.

Esta semana, a Folha de São Paulo sabatinou o ilustre e diplomático Chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Antes de mais nada, é importante esclarecer que a Casa Civil está apenas um degrau abaixo da Presidência da República. Portanto, é o terceiro cargo mais importante do Poder Executivo. Não vou entrar em detalhes sobre os três poderes agora (talvez no futuro), mas a ideia é mostrar a importância de quem está sendo entrevistado.

Vou reproduzir trechos da entrevista e comentá-los, a fim de mostrar a todos a ponderação e o bom senso do Sr. Mercadante.

“O governo federal segura preços de combustíveis e energia para evitar impactos nos índices gerais de inflação. A admissão, rara em ano eleitoral, foi feita pelo ministro Aloizio Mercadante em sua primeira entrevista exclusiva após assumir a Casa Civil em fevereiro.

Embora renegue o termo “controle de preços”, ele afirma que a política federal defende o cidadão. “Preços administrados são preços administrados. Você administra em função do interesse estratégico da economia, dos consumidores, não há necessidade de ser repassado imediatamente”, disse.

Apostando no suposto temor da “volta ao passado”, ele atacou a oposição: “O que está sendo proposto neste país, a pretexto de reduzir a inflação, é voltar com desemprego, com arrocho salarial” e “recessão”. E ironizou chamando essas ideias de “museu de novidades”.

Sobre a crise de abastecimento de água em São Paulo, governado pelo PSDB, disse: “Evidente que faltou investimento prudencial”.”

Vamos começar ali pelo tal “controle de preços”. Foi o que o Sarney fez nos anos 1980 pra segurar a inflação: congelava os preços para evitar que a pressão por demanda fizessem eles disparar. Se eu vendo picolés e por algum motivo aumentam os preços dos pauzinhos, naturalmente eu vou querer subir o preço do picolé pra não ganhar menos. Aí vem o governo e diz que não posso aumentar o preço. De duas, uma: ou aceito de boca fechada ou fecho meu negócio de picolés. Naturalmente muita gente fechou, fossem eles fabricantes ou vendedores de picolés, e o resultado todos nós sabemos: desabastecimento. Ninguém mais vende picolés porque não se produz mais picolés suficientes. A Venezuela é um excelente laboratório pra ver isso.

Acho que é uma tremenda cara de pau o governo dizer que defende o cidadão, porque nunca me senti “defendido”. Pelo contrário: me sinto atacado, ainda mais porque resolvi ser empresário num país forrado de otários. O governo me odeia porque sou afetado pelo pecado de querer ganhar dinheiro no Brasil. O ataque começa nos impostos e termina no quanto os impostos ajudam na minha vida: ou seja, em nada. É uma extorsão legalizada (pague seus impostos, ou vamos te foder tanto que você irá apodrecer na prisão mais tempo que um homicida). Depois sou atacado pelos próprios otários que acham que ser funcionário público é sinônimo da vida fácil, dos benefícios e da aposentadoria gorda, sendo que são estes caras os que mais fodem o país, a seguridade social e a vida de quem quer trabalhar de fato.

O engraçado é o terceiro homem do executivo do país achar que inflação e desemprego estão intrinsecamente ligados. Vamos voltar à minha fábrica de picolés. A inflação anual está quase no teto (6%, pra arredondar). Significa que os meus custos sobem mais ou menos 6% todo ano. Se eu consigo aumentar meu faturamento em 6% durante um ano, isso fica a fundo perdido. Se eu quero contratar alguém que possa me ajudar a fazer mais picolés, além de ganhar 6% a mais, eu preciso ganhar o suficiente pra contratar ele, que me custa o dobro do salário (um dia falo mais sobre isso). Ou seja, se a inflação cai, eu posso contratar mais, e não o contrário, como o Sr. Mercadante pensa.

Enfim, durante a entrevista vou voltar neste ponto.


Qual seu diagnóstico sobre o momento atual?
A oposição e uma parte importante da imprensa desenharam um cenário que entraríamos em 2014 com a tempestade perfeita, haveria grave desarranjo do dólar…

Não foi a imprensa, mas um conselheiro da presidente Dilma, Delfim Netto.
Mas a expectativa que se projetava era essa. Haveria um grave desarranjo no câmbio, forte desvalorização, retração forte dos investimentos, teríamos recessão e desemprego e um forte descontrole inflacionário. Mais uma vez, a história econômica do país desmontou essas previsões pessimistas, nada disso aconteceu.

Não? O dólar chegou a R$2,40, o nível de investimento é um dos piores do mundo, o crescimento é perto de 1% do PIB (quase um cenário recessivo) e o tomate sobe loucamente de tempos em tempos. Mas são apenas previsões pessimistas.

Mas a inflação está muito perto do teto da meta?
Temos um quadro de forte impacto dos preços das commodities e um mercado de trabalho extremamente aquecido. Isso tudo pressiona o sistema de preços, mas o controle da inflação sempre foi uma dimensão inegociável deste governo e continuará sendo. A terceira tese era que teríamos um apagão, propalado fortemente pela imprensa e oposição, dizendo que estávamos num cenário igual ao de 2001, quando tivemos de fato um apagão no Brasil. Isso não vai acontecer, porque o governo foi prudente, fez um novo modelo de gestão do setor elétrico, alavancou os investimentos e, apesar da mudança climática, não há risco de falta de energia. Coisa que não aconteceu, por exemplo, em relação à água no meu Estado de São Paulo.

Por quê?
Porque não tivemos os investimentos prudenciais indispensáveis, porque o sistema Cantareira vinha caindo fortemente nos últimos quatro anos e hoje estamos numa situação que o nível do reservatório está em 5,9%, caiu 1,2% na última semana.

Faltou planejamento em São Paulo?
E de investimentos prudenciais que não foram feitos. Você já tinha novos reservatórios que estavam planejados há muito tempo e não foram feitos.

É verdade. Tem outro investimento prudencial planejado há muito tempo que não foi feito, chamado Transamazônica. Falta desde comida até gasolina no Acre porque as coisas não chegam lá.

Já há racionamento em São Paulo?
Já há redução da oferta de água. [Usem] o adjetivo que vocês quiserem usar, não estou aqui para criar uma disputa desnecessária entre as esferas de governo.

Por que o governo não faz uma campanha de racionalização de uso da energia elétrica?
Há muitas campanhas, mas o que a presidente Dilma fez foi renovar as concessões que estavam vencendo só para quem reduzisse de forma substancial as tarifas, o que amorteceu o impacto tarifário. Foi esta redução, das concessões de usinas que já estavam com seus investimentos amortizados, que permitiu que a inflação estivesse caindo. Esta atitude da presidente Dilma, de compartilhar com a sociedade este ganho, que foi vista como uma intervenção indevida.

Sabe por que? Porque deixou a conta e o nariz de palhaço pra mim e pra você. “Amortização” para o Sr. Mercadante é a mesma coisa que dívida, e “ganho” é a mesma coisa que prejuízo: Crise de energia produz rombo de R$ 12 bilhões para o contribuinte pagar

Mas agora o governo está sendo obrigado a empurrar aumentos de tarifas para 2015 para evitar alta da inflação.
O modelo é este, quando você teve de rodar as térmicas, garante a oferta de energia. E você consegue administrar o impacto porque dilui isto ao longo do processo.

Mas o governo tomou uma série de medidas para empurrar o aumento para depois de 2014.
Não há discussão de que foi necessário colocar as térmicas para funcionar. E elas são mais caras. O que o governo faz é garantir que o impacto deste custo seja diluído ao longo do tempo para não prejudicar o consumidor e a economia. É um sistema precavido, prudencial, em relação à dependência de chuvas. Se outros entes federados tivessem a mesma prudência, o mesmo planejamento, a mesma determinação, nós não estaríamos com o risco de oferta de água na região de São Paulo.

… e estaríamos pagando mais alguns bilhões de reais, em nome da “prudência”.

Mas o mesmo governo que reduziu as tarifas agora segura vários preços da economia, como gasolina e energia, empurrando para 2015.
Deixa eu dizer uma coisa, preços administrados são preços administrados. Porque o conceito é este, você administra [o aumento] em função do interesse estratégico da economia, dos consumidores, não há necessidade e não deve ser repassado imediatamente para os consumidores. O modelo permite que você, por meio de financiamentos e outros procedimentos do Estado, garanta que o impacto se dilua no tempo e você mantenha o seu compromisso com a meta de inflação.

Você quem? Eu?

Mesmo que signifique um descontrole brutal nos preços.
Vocês estão na tese de sempre. No ano passado teria descontrole, neste ano teria descontrole e no futuro haverá. Não haverá descontrole. O país tem um compromisso com a estabilidade, que é inegociável.

O Sr. Mercadante ou é míope, ou tem algum déficit muito grande de entendimento básico das coisas. Lembram do que eu falei sobre o Sarney? Se a empresa de energia teve mais custos pra produzir energia e o preço não sobe, a empresa de energia precisa tomar medidas pra não quebrar, ou alguém paga por este prejuízo, e não é o governo.

Agora vem a melhor parte.

O Brasil está com um índice de atraso pior do que na Copa da África do Sul, que foi considerada uma das mais complicados. O que deu errado?
Vamos ver quando terminar a Copa, mais uma vez vocês vão ter de dizer que não aconteceu o que disseram que ia acontecer. Temos de discutir com mais responsabilidade. Por exemplo, investimentos em estádios vão ser da ordem de R$ 8 bilhões. Metade é de financiamento do governo federal, a outra parte são investimentos de Estados e municípios e também da iniciativa privada. O que nós gastamos em educação e saúde neste período de construção dos estádios são R$ 825 bilhões, não tem comparação. E a Copa é uma oportunidade que o Brasil está tendo de se mostrar. O mundo inteiro vai ver o Brasil. E não fizemos tudo isto [estádios, ampliação de aeroportos, obras de mobilidade] só para a Copa. Fizemos para o país. Ou seja, qual a grande mudança neste período, criamos uma economia de consumo de massa. São 42 bilhões de pessoas que emergiram para uma situação de classe média. O Brasil é uma experiência quase única em termos de velocidade de distribuição de renda. E mesmo na crise continuamos mantendo emprego e distribuindo renda. Para este governo o emprego é um objetivo estratégico. Não é um produto da política econômica. Quando vejo alguns candidatos debatendo economia, as ideias que estão sendo apresentadas são um museu de novidades.

Só eu me espantei com esse pedaço ou tem mais alguém?

O Brasil (União) gasta 1% do PIB com educação. Somados esforços de estados e municípios, a média chega a mais ou menos a 6%, que é mais ou menos o que tem nos relatórios do Banco Mundial. Tem também essa tabela super legal de gasto do PIB para a saúde. Vamos arredondar tudo pra uns 15%, pro cálculo ficar mais fácil. O Sr. Mercadante quis dizer que em 4 anos o governo gastou R$825 bi em educação e saúde. Considerando a média do PIB brasileiro de 4 trilhões por ano (e uma arrecadação de mais ou menos 25% desse valor pelo governo), temos 1 trilhão por ano. 15% de 1 trilhão são 150 bilhões. A conta não fecha. Falta pelo menos 200 bilhões. De onde o Sr. Mercadante e o Governo Federal tiraram esse número? Não achei a fonte até hoje.

A propósito, ele só falou do investimento na estrutura do estádio. A Copa em si custou muito mais do que só a construção dos estádios. A CBF, por exemplo, teve recorde de faturamento em 2013, e não são apenas ganhos com patrocinador. Seria quase desonesto dizer que o governo investiu apenas 8 bilhões de reais com todo o empreendimento, assim como é desonesto dizer que gastou quase 1 trilhão com saúde e educação em 4 anos.

Aliás, nem o universo tem 42 bilhões de pessoas. Claro que vão dizer que foi um erro dimensional.

Tipo?
São as mesmas pessoas do passado, dizendo que vão fazer as mesmas coisas que fizeram e que nós sabemos aonde deu. Termina em recessão e desemprego. Termina o povo pagando o custo da crise. E nós não viemos para fazer isso e não faremos.

MAS NÓS PAGAMOS, jênio. Já esqueceram dos R$12 bilhões da energia?

Mesmo com um pouco de inflação a mais, vocês não acham…
Ah, sim, podemos reduzir o centro da meta da inflação para 3% [proposta do candidato do PSB, Eduardo Campos], o que significaria passar o desemprego de 4,7% para 8,3%, dobrar o desemprego.

Vocês fizeram um estudo para chegar a este dado?
É simples, é um modelo matemático do Banco Central, você vai lá e vê para onde vai a taxa de juros e vê o que vai acontecer com o desemprego.

Foi o Banco Central que calculou?
Não, foi nossa assessoria, é só pegar o modelo matemático e aplicar. Vamos ao que interessa da discussão. Primeira tese relevante do debate. Vamos acabar com o subsídio ao crédito público no Brasil. Essa é a tese do PSDB, reduzir o financiamento público e acabar com seu subsídio. O que é o subsídio ao crédito público, é ofertar um crédito, com taxas de juros com padrões internacionais de competitividade. Quais são os programas mais importantes, as principais linhas do BNDES para máquinas e equipamentos, ônibus, caminhões, micro e pequena empresas, a equalização da taxa de juros, é o que permite você manter o crescimento e o emprego que temos.

Eu quero minha mãe.

Alguém sabe onde está esse modelo matemático que associa inflação com desemprego?

O governo gosta de fazer a comparação com Estados Unidos e Europa, só que nestas duas regiões tudo já está pronto. Lá podem crescer um pouco menos porque está tudo pronto. Aqui, temos de crescer muito mais para chegarmos perto deles.
Eu sei que nós precisamos crescer muito mais. Todo mundo acha que precisa crescer muito mais. Mas o que eles estão propondo é crescer muito menos.

Como o sr. pode garantir isso?
Ao retirar os subsídios dos crédito, vamos encarecê-lo, diminuir o investimento e comprometer o crescimento do emprego. Ao retirar o subsídio do plano safra, vamos reduzir o crédito à agricultura, que faz com que o Brasil tenha hoje a terceira maior safra do planeta. Ao retirar o crédito público, vamos acabar com Minha Casa, Minha Vida.

Mas a oposição não está falando em acabar com o Minha Casa, Minha Vida.
Ao tirar o subsídio do crédito imobiliário nós acabaremos com o Minha Casa, Minha Vida.

E seria uma ótima ideia, ainda mais considerando que esse subsídio do governo, mais a farra de financiamos da Caixa Econômica, provocou aumentos de até 100% no valor do imóvel em algumas cidades.

O governo está administrando uma inflação maior…
Vamos botar isso a limpo. Vou pegar o dado. A inflação no governo FHC era 9,2% ao ano; no governo Lula e Dilma, de 5,9%. A média do governo Lula é praticamente a mesma do governo Dilma. Nossa inflação acumulada deu 5,9% e a do Lula, 5,8%.

Mas o país cresceu mais com Lula, ministro.
Sim, mas teve um quadro de estagnação [mundial] que começa em 2009, no final do governo. A maior crise econômica mundial depois de 1929, e atravessamos mantendo emprego e renda.

O sr. foi contra o plano Real, que garantiu estabilidade.
Eu critiquei a âncora cambial do Plano Real, disse que era um equívoco e a história acho que me deu razão.

Olha essa parte:

Naquela época não tinha nem âncora, ministro.
Lógico que tinha. Estava nos objetivos do plano. Bom, não vou discutir isso. Não muda a pauta da discussão. Nós reconhecemos que a URV foi criativa. Foi muito importante estabilizar a economia. Mas foi uma estabilidade fundada na apreciação do câmbio e levou o Brasil a um ataque especulativo, uma forte desvalorização do câmbio que trouxe o risco de inflação de volta a partir de 1998, essa era a crítica que nós fizemos. O compromisso com a estabilidade está mantido, a diferença é que, para o povo, PIB é emprego e renda. Nós éramos um dos países mais desiguais do planeta, com os piores índices de concentração. É isso o que está mudando. Os pobres não estão pagando mais o custo da crise como era no passado. E o que está sendo proposto neste país, a pretexto de reduzir a inflação, é voltar com desemprego, com arrocho salarial, retirar os programas sociais, retirar o subsidio ao crédito público, que fez o país manter esse crescimento e o nível de emprego.

O nível de crescimento dos preços dos imóveis, do prazo dos financiamentos, do funcionalismo público…

Ministro, desculpe, mas vamos comparar com o governo Lula? Com Lula, crescia-se mais, a inflação era menor e tinha popularidade. O que está acontecendo, então, pois a Dilma está em baixa nas pesquisas?
Primeiro, as avaliações da Dilma para esse período das eleições são muito próximas ou um pouco melhores do que era a do Lula em 2005, 2006. O Lula se recupera na eleição quando nós tivemos tempo de televisão para falar.

Mas teve mensalão, caiu por isso…
É uma tentativa de explicação. Mas objetivamente foi isso que aconteceu. Na hora em que nós formos para a televisão, como ela foi rapidamente agora no Primeiro de Maio, mostrando esse debate de fundo, tendo tempo para mostrar que 7 milhões de pessoas fizeram o Pronatec e não tem uma linha nos veículos de comunicação para mostrar esse marco.

Pronatec – Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego. Alguém já ouviu falar disso? Natural ter uma relevância dessa tendo 1200 pessoas inscritas em Curitiba, por exemplo. Acho que meu colégio do ensino médio tinha mais gente. O cursinho que fiz em 2002 com certeza tinha.

As curvas de pesquisas mostram que a presidente cai quando a inflação sobe.
Não acho que seja tão mecânico assim. Acho que tem vários outros componentes numa eleição, as coisas não são tão simples. Tenho absoluta segurança: nós cresceremos na hora que tivermos tempo de falar e de mostrar o que fizemos. A gente sempre cresce no final.

Por que, no governo Lula, a população tinha uma visão de que o governo era mais preocupado com inflação do que hoje?
Talvez porque não liam jornais.

Ou talvez porque o Lula era inteligente o suficiente pra saber que não se faz peraltices com a economia, ao contrário da Dilma que se recusa a alterar a equipe econômica, que já provou ser muito incompetente.

Eduardo Campos sugeriu meta de inflação de 3%. Vocês concordam com redução?
Acho que 4,5% é uma meta muito importante a ser perseguida pelo Banco Central. Nós fomos o país que teve a mais longa hiperinflação da história, portanto o processo de estabilização é um processo em que a gente deve ter cuidado e muito rigor com isso. E o governo tem. O Banco Central aumentou os juros em ano eleitoral pela segunda vez. No governo Lula foi assim também.

Tem, é? Que coragem, não? E aquela cagada de abaixar o juro pra 7,5% ao ano, teve cuidado e rigor?

Em compensação, a gasolina não subiu.
Os preços administrados são administrados em função do esforço de fazer uma política anticíclica. Por isso que energia é [preço] administrado. É sempre administrado e sempre foi.

Essa administração fez as ações a Petrobras caírem a R$13. Nem quando o Evo Moralez tomou a usina na Bolívia o preço da ação tinha caído tanto.

Pelo menos alguém do governo admite controle de preços.
Não, você é que está falando. Eu não usei a palavra controle de preços.

“Controle de preços” são 3 palavras. E pega mal usar, né? Sarney, Venezuela…

O sr. está dizendo que o preço administrado é um instrumento do governo para realizar política anticíclica.
É evidente. Na medida em que nós estamos pegando energia, as termoelétricas este ano, e podemos diluir o reajuste, nós estamos fazendo um bem para a sociedade. Ao contrário do que vocês acham. Porque se eu fizer um reajuste muito alto, o que vai fazer é aumentar o custo da produção e a consequência é perda de competitividade. Se eu perco a competitividade, eu vendo menos, produzo menos e emprego menos.

Mas isso em algum momento explode.
Essa é a tese que querem trazer de volta ao país. O que nós achamos é que esse não é o melhor caminho. Não é dar um choque de preços na economia, aumentar o custo de vida da população e aumentar o desemprego.

O custo está aumentando assim mesmo.

O que o sr. acha que vai ser o Brasil de 2015?
Engraçado. Se você me perguntasse no final de 2013 o que seria o Brasil de 2014 eu diria que seria muita coisa do que estamos vivendo. Mas vocês não acreditavam nisso. Vocês acreditavam na tempestade perfeita. Vocês acreditavam que iria ter uma crise gravíssima, como de novo vocês estão projetando dificuldades que acho que não são reais. Agora, essa campanha pró-inflação gera uma expectativa inflacionária.

Existe uma campanha pró-inflação no país?
Claro. Tivemos em vários momentos.

Campanha pró-inflação? Oi?

Quem promove?
Quem tem interesse em aumentar a taxa de juros.

Verdade. Tô louco pra comprar Tesouro Nacional ultimamente.

Para o governo, o inferno são sempre os outros. É o mercado, a imprensa…
Não, não. O problema da inflação é o mercado? Não. O que eu disse é que há uma entressafra, uma pressão inflacionária sazonal que diz respeito à oferta de alimentos. Mas o compromisso com a estabilidade permanece, absolutamente essencial e inegociável.

O próprio Lula, em entrevista, reconheceu que a presidente precisa consertar a economia…
Sempre temos que mostrar como vai melhorar a economia.

O que está errado na economia?
Nós sempre temos que melhorar. Uma das coisas que precisa melhorar é a qualidade do debate econômico do país. Esse é meu esforço hoje. Estou tentando mostrar que não houve tempestade perfeita, não houve e não haverá descontrole da inflação. Não houve aumento do desemprego, recessão e não haverá. Não há apagão nem risco de apagão. Não tem nenhuma semelhança com o que aconteceu em 2001 e as obras da Copa estão todas sendo entregues, nós faremos a Copa das Copas.

Isso me lembra o final sensacional deste vídeo:

Por que a população prefere o Lula a Dilma?
Eu acho que a tese da Folha tem um aspecto interessante. Por que vocês não fizeram a pesquisa com Marina e Eduardo ou Aécio-Serra?

Nenhum é ex-presidente.
Isso não é argumento.

Fizemos Marina e Eduardo…
Não. Agora, o Lula não é candidato. É a Dilma.

Não só a população [quer Lula de volta], os próprios petistas.
A verdadeira disputa no país não é entre Dilma e Lula. Isso é um projeto só. A verdadeira disputa é se continua Lula e Dilma ou volta FHC.

FHC? Não é Aécio o candidato…
O discurso é o mesmo de antes. E as consequências não serão parecidas porque vamos vencer as eleições.

Isto eu quero ver.

E se vocês forem surpreendidos com o PSB no segundo turno, por exemplo…
Primeiro você pressupõe que haverá segundo turno.

Não, isso foi o senhor.
Não disse isso.

Disse.
Não! Leia, está gravado. Disse que em todas as últimas eleições houve segundo turno, e ainda dá no primeiro em todos os cenários.

Já não são em todos os cenários…
Na nossa avaliação, continuamos ganhando. De qualquer forma, como todas as eleições anteriores, nós só vamos vencer quando tivermos tempo de televisão. Aí o povo vai ver o que sente. E isso vai fazer toda a diferença.

Por que o empresariado é hoje mais contra a presidente do que a favor?
Foi assim com Lula sempre, e é assim com a Dilma. Porque a eleição começou.

Não é por isso. É que ela não fez quase nada pela gente, a não ser cobrar INSS de cabeleireiros, pintores, empregados domésticos, jardineiros, animadores de festas e similares, naquele negócio chamado MEI. Essas pessoas não geram mais empregos e o ganho de regularizar a atividade é perto de zero. Parabéns.

E obrigado pra quem leu até o fim.

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comentários
  1. Salsa disse:

    “Alguém sabe onde está esse modelo matemático que associa inflação com desemprego?”
    John Maynard Keynes. É a base dos estudos econômicos no Brasil e em boa parte do mundo.
    Claro que é nonsense, mas ainda assim é o cânon dos estudos de economia.

    • ciganomorrison disse:

      Tá explicado. Alguém avise o governo que essas fórmulas já são consideradas superadas.

      • Salsa disse:

        Já viu esse vídeo?

        Ele demonstra bem a situação. O fim da luta é baseado em fatos reais.
        Não é só o governo brasileiro que leva essa merda a sério infelizmente, quase todos os países do mundo fazem o mesmo em maior ou menor grau(só sei de Singapura como exceção).

        Infelizmente, refutar um modelo ou teoria e tirar ele do trono em que a academia e a mídia o botou são duas coisas diferentes. Vide Marx.

        Mas o vídeo é engraçado, entra na categoria “rir pra não chorar”.

      • ciganomorrison disse:

        Já vi. Preciso ver de novo pra relembrar as regras.

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