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Meus cumprimentos, bípedes.

Vamos falar hoje sobre as pessoas que os militantes da inefável esquerda brasileira amam (ou odeiam): os empresários.

Sim, pensa você, garoto ou garota esquerdalha: lá vem ele de novo falar dessas pessoas desprezíveis. Isto mesmo. Começa errado já o pensamento de achar que todo empresário é desprezível pela sua simples natureza de empresário. Há uma cultura no País de Merda que o empresário apenas explora o funcionário, não lhe paga um salário decente porque não quer e apenas pensa no lucro, em ganhar mais e mais. Vamos colocar primeiro as coisas no seu devido lugar.

A ambição não é ruim. Ela faz parte do ser humano.

Ou seja, querer ganhar mais e mais não deveria ser visto como uma coisa ruim. Todo ser humano gostaria de ganhar mais e mais, exceto aqueles que se dizem desapegados e que vivem com pouco (o que não é bem verdade, porque para se viver uma vida simples, é preciso ter muito dinheiro, e não o contrário). Isto faz parte de querer melhorar de vida.

Seu patrão não vai aumentar seu salário porque você é super legal. Você precisa dar um bom motivo pra isso.

Quando penso nessa frase de cima, lembro dos meus momentos juvenis em que eu achava que o patrão devia sempre remunerar o funcionário na medida do resultado que aquele funcionário traz. A verdade é que se o cara conseguiu te contratar por este salário e consegue te segurar na vaga, pra ele está ótimo. Ele não precisa ter dar aumento, a menos que você reclame e ameace sair. E bom, é assim que as coisas funcionam. Se seu salário ou seu trabalho não estão bons, é você que deve tomar a iniciativa de procurar algo melhor, se esforçar e fazer o seu contratante ter um bom motivo pra te pagar melhor. De assistencialismo já basta nosso governo. Com você não precisa ser igual.

Um empresário trabalha muito mais do que um empregado, então é óbvio que ele merece ganhar mais.

Se isto não é verdadeiro, você pode ter certeza de que a empresa vai de mal a pior. Empreender exige esforço, talento, trabalhar fora de hora e se sujeitar a certas condições meio insalubres, como trabalhar de madrugada, em final de semana e em feriado. Fazer uma empresa prosperar é muito mais complexo que cumprir uma determinada função numa empresa e esperar o salarinho no fim do mês. O empresário precisa ter conhecimento do mercado, dos impostos, das leis, dos fornecedores, dos clientes, do seu produto e dos concorrentes, a nível micro e macro, senão ele quebra e quebra todo mundo que trabalha pra ele.

Se eles andam de carro importado, viajam muito e ostentam uma boa condição, ou estão fazendo por merecer ou estão enfiando a empresa no rabo. Essa última acontece quando um herdeiro da administração anterior assume e acaba falindo a empresa. Já vi muito disso.

Sua visão do que é um empresário possivelmente está errada.

Se pra você a palavra “empresário” remete apenas a Eike Batista, Silvio Santos, Abílio Diniz e outros figurões milionários que existem por aí, significa que você ou é mal informado, ou é tongo.

Isto pra mim é um empresário:

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Aliás, este é o Valdir Novak, da minha cidade natal, Curitiba. É um cara que dá palestras sobre empreendedorismo. Produto? Pipoca. Apenas e tão somente (com alguns aditivos, claro).

Ou então:

 

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E melhor ainda:

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E mais:

 

 

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Se nenhuma dessas imagens te remeteu à profissão de empresário, você possivelmente tem a visão retardada do brasileiro médio que empresário é só quem tem muito dinheiro e empresas enormes.

Você não precisa de muito dinheiro para ter seu negócio.

Segundo o Empresômetro (por sinal, um site muito legal que funciona como uma espécie de radar do empresariado brasileiro), metade de todas as empresas são individuais. Ou seja, metade de tudo que é empresa do país são pipoqueiros, vendedores de água e refri, cabeleireiros, animadores de festas, entre outros.

O que me consola é que finalmente o brasileiro está deixando de ter esse sonho imbecil de entrar numa empresa e morrer nela recebendo salário em carteira com os benefícios-esmola que a empresa dá, salvo algumas exceções. No ano passado, 1,26 milhão de pessoas viraram novos empresários, sendo 67% na modalidade MEI (Micro Empreendedor Individual), numa das poucas políticas realmente inteligentes do governo atual. Nesta modalidade, o empresário paga apenas R$36,20 (na data deste post) por mês para ter algumas garantias básicas, como seguro social e previdência pública. Isto é um valor decente de imposto. Como nem tudo é perfeito, se o empresário passa a faturar mais do que 60 mil reais por ano, ele sobe de categoria e vira um Empresário Individual.

Empresários Individuais pagam 6% de imposto em cima de cada nota fiscal emitida. 6% de 60 mil são R$3.600,00, o que é bem mais do que o máximo de R$434,40 que um MEI contribui anualmente (dá mais de 8 vezes mais). Isto só mostra como as leis e a tributação são idiotas e sem sentido. E sabe o que o empresário ganha contribuindo com isso?

Nada.

Isto mesmo: você, empresário individual, paga 6% de tudo o que fatura com a empresa por mês pelo simples fato de estar faturando, e não recebe nada por isso. O governo fala que isso faz parte do Imposto de Renda e “contribuições sociais”, previstas em lei. O INSS é pago à parte, ou seja, 11% do salário mínimo (da data deste post, R$724,00), o que dá R$79,64. Estes R$79,64 é a contribuição para o seguro social e aposentadoria. Mas, e o resto do dinheiro?

O resto do dinheiro vai para o governo, pra manter esta maravilha que nós temos hoje.

O teto de faturamento do empresário individual vai até R$360 mil ao ano. E depois?

Depois, meu amigo, você vira empresa limitada.

Se você achou ruim pagar 6% de tudo o que fatura na empresa individual, vou te dizer o que se paga numa empresa limitada.

Cada nota fiscal emitida obriga o empresário a arrecadar sobre ela:

Se sua empresa é do ramo de serviços, você ainda recolhe:

  • De 2 a 5% de Imposto Sobre Serviços, que é um imposto municipal.

Se sua empresa é do ramo de venda de produtos, você ainda recolhe:

  • IPI, Imposto Sobre Produtos Industrializados (ou seja, você é desestimulado a tentar fabricar qualquer merda que seja aqui);
  • ICMS, Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ou seja, você é desestimulado a vender pra outros estados do País de Merda);

 

Acho que agora muito se explica a respeito do porquê tomamos um banho dos gringos na hora de produzir produtos de qualidade. Exceto em produzir soja, vacas, café, açúcar e bananas. Ah, e nada supera o Brasil na produção de jabuticabas. Entendam como quiserem.

Quer saber como funciona o cálculo? Dá pra baixar a Tabela do IPI. Divirta-se. A do ICMS fica aqui.

Média de impostos sobre cada nota fiscal? De 13 a 20%. E sabe o que o governo faz por você?

Nada. A não ser que você seja um favelado que ganha Bolsa Família e usa o SUS, o que não é pouca gente, mas repare que isto é o complexo de Robin Hood do governo brasileiro em ação.

Por fim, alguns detalhes interessantes sobre o perfil do empresariado brasileiro:

Em época de eleições, o governo resolveu se mexer e votar o Super Simples, que beneficia quase 500 mil empresas. Mas agora eu considero que seja meio tarde, certo? Com um governo que tem o maior prazer em afogar a atividade empresarial do país, agir assim é até estranho.

Ah, sim. Depois deste texto, volte naquele texto que eu falo sobre a CLT e veja que legal é contratar no País de Merda. Talvez você passe a ter um olhar mais realista sobre o cara que te contratou.

Quer ganhar dinheiro no país? Mexa esse rabo da cadeira e vá fazer algo decente que dá algum dinheiro, e pare de reclamar do seu patrão.

Ou vá pra rua estorvar a vida dos outros com greves e o caralho a quatro, pra conseguir umas migalhas acima da inflação e mostrar como sua vidinha de 36 a 44 horas semanais é difícil. Se você cuida de serviços públicos, melhor ainda: o seu sindicato te ama!

Ou vá à merda mesmo.